Escleroterapia Dói? O Que Esperar Antes, Durante e Depois
A pergunta que mais escuto no consultório
"Doutor, escleroterapia dói?" Essa é, disparada, a dúvida número um de quem chega para tratar vasinhos e microvarizes.
A resposta curta: o desconforto é leve e bem tolerado pela grande maioria das pessoas. Ninguém precisa de anestesia geral, ninguém sai mancando e quase todo mundo volta para a rotina no mesmo dia.
Mas cada pessoa sente dor de um jeito, e o medo do desconhecido costuma ser pior do que o procedimento em si. Sou o Dr. Victor Hugo, cirurgião vascular em Fortaleza (CRM 15051 | RQE 9653), ex-professor da Faculdade de Medicina Christus e criador do Modelo VHG™. Vou explicar exatamente o que você pode esperar antes, durante e depois de cada sessão.
Antes da sessão: a avaliação
Ninguém faz escleroterapia sem passar por uma consulta antes. Na Clínica VHG, a avaliação inicial custa R$ 600 e já inclui, no mesmo dia, o ultrassom Doppler de planejamento e o VeinViewer (realidade aumentada por infravermelho, que mostra as veias nutridoras até 10 mm abaixo da pele).
Isso importa para a dor também. Quando existe uma veia nutridora ou um refluxo alimentando os vasinhos, tratar só a superfície gera mais sessões, mais picadas e mais frustração. Com o mapa certo, a gente trata a origem e reduz o número de aplicações.
Na consulta a gente também alinha expectativas e conversa sobre medo de agulha. Ansiedade é um dos maiores amplificadores da percepção de dor, e entender o processo já diminui muito o incômodo.
Como se preparar
- Hidrate-se bem nas horas anteriores
- Não passe cremes, óleos ou autobronzeador nas pernas no dia
- Use roupa confortável e fácil de vestir
- Traga a meia de compressão, se já tiver sido orientada
- Avise se começou algum medicamento novo ou se está grávida ou amamentando
O que você sente durante a sessão
A picada
Sim, tem agulha. Mas são agulhas muito finas (calibre 30G ou menor), bem mais finas do que as usadas em coleta de sangue. A maioria descreve como uma picada leve, comparável à de um mosquito. Muita gente nem percebe a entrada da agulha.
A ardência do esclerosante
Quando o líquido entra no vasinho, você pode sentir uma ardência ou um formigamento no trajeto do vaso por alguns segundos. Isso é esperado: o esclerosante irrita a parede interna da veia, e é justamente essa reação que faz o vasinho fechar.
A intensidade varia com o produto usado (glicose hipertônica tende a arder mais que o polidocanol), com a concentração, com a região tratada e com a sensibilidade de cada pessoa. Tornozelos e a parte de trás do joelho costumam ser mais sensíveis.
O que a gente faz para reduzir o desconforto
- Escolha do esclerosante conforme o calibre do vaso e a sensibilidade de cada pessoa
- Resfriamento da pele durante a aplicação, que diminui bastante a ardência
- Creme anestésico antes da sessão, quando faz sentido
- Injeção lenta e agulha fina, que reduzem a dor da picada e da distensão do vaso
- Pausas sempre que você pedir
Quanto tempo dura
Uma sessão de escleroterapia ampliada dura, em média, 20 a 40 minutos, com várias aplicações em diferentes vasinhos. A quantidade por sessão depende da extensão da área e da sua tolerância.
Logo depois da sessão
É normal sair da sala com:
- Leve vermelhidão e pequenas "bolinhas" nos pontos de aplicação (semelhantes a picadas de inseto), que somem em poucas horas
- Pequenos hematomas nos locais das picadas
- Coceira leve
- Sensação de peso ou leve inchaço na região tratada
Você sai caminhando, pode dirigir e retoma as atividades no mesmo dia. Andar é, inclusive, recomendado.
Efeitos colaterais: o que é esperado e o que merece atenção
Nos primeiros dias
- Hematomas: desaparecem em 1 a 3 semanas
- Cordões endurecidos no trajeto das veias tratadas: são as veias em processo de fechamento, e somem ao longo de semanas
- Desconforto leve: controlável com analgésico comum, se necessário
- Coceira: parte do processo inflamatório normal
Nas primeiras semanas
- Aspecto "pior antes de melhorar": a região pode parecer mais marcada nas primeiras semanas antes de clarear
- Pequenos coágulos presos (microtrombos) dentro dos vasinhos tratados: quando aparecem, a gente drena no consultório com uma pequena punção, o que acelera o clareamento
- Manchas acastanhadas (hiperpigmentação): acontecem em uma parcela dos pacientes, principalmente em vasos maiores e em quem se expõe ao sol. A maioria clareia em alguns meses; uma minoria demora mais. Para manchas persistentes, a clínica usa o ACROMA laser
- Matting: surgimento de uma rede de vasinhos muito finos ao redor da área tratada. Pode regredir sozinho ou precisar de novas sessões ou de laser transdérmico
Sinais que devem ser comunicados
Complicações importantes são raras, mas você deve entrar em contato se tiver:
- Dor intensa que não melhora com analgésico
- Inchaço de toda a perna ou dor na panturrilha
- Febre
- Ferida ou área escura na pele no ponto de aplicação
- Alteração visual, dor de cabeça ou tosse logo após a aplicação (descritas principalmente com espuma, quase sempre passageiras)
Na dúvida, mande mensagem. É melhor perguntar do que esperar.
Dicas para uma recuperação mais tranquila
O que fazer
- Usar a meia de compressão conforme a orientação
- Caminhar todos os dias
- Manter a pele hidratada, depois da liberação
- Protetor solar nas áreas tratadas: com o sol de Fortaleza, isso é regra
- Elevar as pernas quando estiver descansando
O que evitar
- Sol direto nas áreas tratadas por 30 dias
- Exercícios de alto impacto nas primeiras 48 a 72 horas
- Banho muito quente, sauna e piscina aquecida nos primeiros dias
- Depilar a região na primeira semana
- Coçar ou apertar os pontos de aplicação
A escleroterapia com espuma dói mais?
A espuma densa é usada para veias mais calibrosas. A punção é a mesma agulha fina, e a espuma costuma arder menos que o líquido porque o contato com a parede da veia é mais eficiente. O que muda é o pós: a veia tratada é maior, então o cordão endurecido e a sensibilidade local podem durar um pouco mais. Nada que impeça o trabalho ou a caminhada.
Se você quer entender melhor as diferenças entre técnicas, leia também laser transdérmico ou escleroterapia.
Perguntas frequentes
Posso passar anestésico antes da escleroterapia?
Geralmente não precisa. Quem tem sensibilidade maior pode usar creme anestésico antes da sessão, combinado com o resfriamento da pele durante a aplicação. Fale disso na consulta para a gente planejar.
O desconforto piora a cada sessão?
Não. A maioria relata que as sessões seguintes são mais tranquilas, porque a ansiedade diminui e a pessoa já sabe o que esperar.
Posso dirigir e trabalhar depois da sessão?
Sim. O procedimento não afeta reflexos nem a força das pernas. Você dirige, volta para o trabalho e caminha normalmente no mesmo dia.
Quanto tempo os hematomas levam para sumir?
De 1 a 3 semanas, na maioria dos casos. Hematomas maiores podem levar até 4 semanas. Protetor solar ajuda a evitar que virem mancha.
Tenho medo de agulha. Consigo fazer?
Consegue. Muita gente com medo de agulha faz sem dificuldade, porque a agulha é muito fina e a aplicação é rápida. Para quem prefere evitar agulha em vasinhos bem finos, o laser transdérmico pode ser uma alternativa em casos selecionados.
Se o medo da dor é o que está adiando o tratamento dos seus vasinhos, a melhor forma de resolver isso é entender o seu caso. Agende sua avaliação na Clínica VHG, no RioMar Trade Center (Papicu), pelo WhatsApp (85) 99104-2483. A consulta inclui o Doppler e o VeinViewer no mesmo dia, e a gente monta um plano pensado também no seu conforto.